terça-feira, 18 de novembro de 2014

Degradação de Ramos pela própria Prefeitura do Rio

 Tem algum tempo que não compartilho novas informações, e juro para vocês que gostaria de não ter mais motivos para isto, mas me assusta como o abandono de um bairro inteiro da Zona Norte se manifesta até mesmo pela mídia.

Choquei-me ao observar que outras pessoas preocupadas com o abandono de Ramos, informam as autoridades competentes municipais, e as mesmas sequer reconhecem sua responsabilidade sobre o fato!

Noticiado no jornal O Globo, observem que a Secretaria Municipal de Obras negou duas vezes que um buraco tenha algo a ver com a Transcarioca em Ramos, mesmo sendo do lado do viaduto Renatinho Partideiro, construído exclusivamente para a mesma, cuja vizinhança está clara na foto:

Terreno fruto de desapropriação, na Rua Cardoso de Morais, largado em chão de terra pós Transcarioca em Ramos

Leia a matéria: http://oglobo.globo.com/eu-reporter/buraco-ao-lado-de-viaduto-do-brt-transcarioca-em-ramos-cercado-mas-nao-tem-dono-14244110 

Somente no dia seguinte perceberam que sim, eram responsáveis por esta área abandonada após a obra da Transcarioca, mas mesmo assim se comprometeram apenas em tampar o buraco, mesmo estando claro na foto que tudo ali foi largado em chão de terra. Assim foi feito: apenas o buraco foi tampado e o restante continuou sendo uma enorme área sem calçamento e sem uso para o bairro, que inunda de lama os bueiros da Rua Cardoso de Morais quando chove.

Moradores do bairro precisam pisar na lama para chegar na estação de trens de Ramos


Porque ao invés de uma área baldia da Prefeitura, não transformam em uma praça com calçamento, brinquedos infantis e equipamento de ginastica da 3ª idade, tão comum em vários bairros da cidade? porque simplesmente optaram por largar um terreno baldio nesta área pública? Será que o tratamento é diferente para cada bairro da cidade? Ou decidiu-se que Ramos é um dos bairros mais abandonados da cidade, que nunca foi ou será elegível á um Rio Cidade ou Bairro Maravilha, ou qualquer outro projeto urbanístico? Nem o que tiveram que mexer para passar a Transcarioca sequer ganhou qualquer infraestrutura.

Em outra reportagem fica mais claro o descaso com o bairro. Mesmo sendo um acessório importantíssimo a Transcarioca, já que é a unica forma de acessar da Estação Cardoso de Morais pela Rua Uranos, seguindo pela Rua Dona Isabel,  a área da passarela sobre os trilhos do trem está completamente abandonada, com um depósito de lixo.

A rua não tem sinalização adequada sobre o fechamento definitivo da mesma para carros, além de um pedaço de concreto rabiscado a mão com tinta orientando os motoristas a não seguir pela rua, pois ficou sem saída após a implantação do BRT. Bem no estilo "ainda estamos em obra", mesmo depois de 4 meses de obra acabada.

Passarela que liga a Rua Uranos a Rua Dona Isabel, ao lado da Estação Transcarioca Cardoso de Morais / Viúva Garcia
Leia a matéria: http://oglobo.globo.com/eu-reporter/passarela-em-ramos-esta-abandonada-com-sujeira-tem-problema-de-iluminacao-14450852


Nem mesmo aquilo que é gritante abandono perigoso sequer ganha prazo de solução, colocando a vida de motoristas do bairro em risco:



Leia a materia: http://extra.globo.com/noticias/rio/obra-parada-em-ramos-provoca-gargalo-em-subida-de-viaduto-risco-de-acidente-14329305.html

Cadê as praças do bairro de Ramos?

Não bastando as obras não concluídas e largadas para trás sem o reconhecimento da responsabilidade, a Prefeitura do Rio ainda fez questão de ocupar todas (TODAS) as praças do bairro de Ramos, não deixando mais qualquer espaço como opção de lazer, esporte ou cultura no bairro, tradicionalmente residencial.
Simplesmente tudo foi tomado pela Transcarioca:






Embora na TV já fosse demonstrado o consenso sobre a falta de áreas de lazer na região:

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-rio/v/avenida-brasil-vira-area-de-lazer-durante-interdicao-das-pistas-no-feriado/3298809/


Como resolver este crime de tornar um bairro inteiro em uma área da cidade sem praças?

No primeiro PAC no Rio, levantaram os trilhos dos trens do ramal Saracuruna em Manguinhos. No PAC 2 estão planejando levantar os trilhos dos trens do ramal Belford Roxo, em Jacarezinho, e o objetivo é claro: melhorar a qualidade de vida destes dois bairros:

Obra já realizada em Manguinhos
Projeto para Manguinhos 1
Projeto para Manguinhos 2
Estas intervenções, bem vindas, são feitas em áreas extremamente degradadas na cidade, que estão ganhando nova vida com as obras, mas, será que é necessário um bairro virar uma grande favela perigosa, ou declarar a morte, para ganhar vida nova?

Esperaremos Ramos e seus bairros vizinhos, como Bonsucesso, se transformar em uma grande favela para depois os Governos se manifestarem com obras para recuperar, o que no caso específico da Transcarioca, se perdeu por ação dos mesmos?

Nossa sugestão inclui duas ações simples:

1. Ordenamento municipal:

Utilização do grande terreno na Rua Cardoso de Morais, 509, Ramos, para a implantação da UOP (Unidade de Ordem Pública) da Leopoldina. Esta ação rápida ajudará a manter a ordem urbana, tão necessária ao bairro e nas intervenções futuras listadas no item 2.

Rua Carodoso de Morais, 509 - área vazia e abandonada pela Prefeitura onde funcionaria uma UOP


2. Elevação dos trilhos de trens do Ramal Saracuruna

Unir os dois lados dos bairros de Ramos e Bonsucesso, viabilizando a ligação de dois trechos de ruas em vias de degradação antes da favelização. As Ruas Uranos e Dona Isabel, nos trechos entre as estações de trens de Bonsucesso e Ramos, estão degradando ano após ano. A ligação das duas ruas com a criação de um espaço de lazer, esporte e cultura sob os trilhos dos trens do Ramal Saracuruna revitalizaria a área, sendo assim um investimento menor do que quando já favelizado.
Esta área sob os trilhos também entraria como medida compensatória da ocupação pela Transcarioca, de todas as praças do bairro.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Metro desperdiçado

 É triste observar, em um pátio descoberto da MetroRio exatamente em frente a Prefeitura, tantas composições de metrô apodrecendo ao tempo.

Pátio de manutenação do Metro Rio, fotografado da estação Cidade Nova

 
 Em um Estado onde a mobilidade urbana é sempre posta em xeque devido a baixa qualidade do fornecimento do serviço aos seus cidadãos, os antigos carros da linha dois do Metro, aposentados devido ao aumento de demanda da linha 2 e a impossibilidade dos mesmos em absorver-la, estão abandonados absolutamente sem uso, em um canto do pátio de manobras e visível a todos que passam pela Av. Presidente Vargas. Este trecho da avenida, curiosamente, é em frente ao prédio da Prefeitura, de onde provavelmente a gestão municipal consegue observar diariamente a inoperância destes veículos.
 
Recentemente a Prefeitura anunciou a compra de VLT modernos para operar no Centro do Rio de Janeiro para o Projeto Porto Maravilha, e o Estado pouco depois, a compra de outros VLT  oriundos de um projeto em Macaé que não foi adiante, para operar na Supervia no Ramal Guapimirim, e com isto ficou a questão: porque comprar novos com estes antigos lá disponíveis para o uso?

Os carros operaram a Linha 2 do metro foram VLT adaptados ao uso do metro

 
O Rio de Janeiro está carente de transporte de massa real, onde alguns bairros de sua capital ainda estão defasados, como por exemplo a Ilha do Governador. Porque não aproveitar estes carros para montar a linha planejada ligando a Ilha do Governador a estação Bonsucesso de trens? Ou a criação de um VLT pelo trajeto da Linha Amarela, substituindo os ônibus que lá circulam? Enfim, há uma infinidade de usos melhores do que o abandono atual.
 

 
Pela imagem de satélite, são 28 composições que poderiam atender a população do Rio de Janeiro

domingo, 6 de julho de 2014

Transbrasil

Transbrasil é uma das propostas de corredor de ônibus exclusivo articulado, modelo BRT, que a prefeitura havia assinalado como legado das Olimpíadas, para ligar Deodoro ao Centro do Rio pela Av. Brasil e reduzindo consideravelmente o número de linhas de ônibus que lá circulam. Conjugo e verbo no passado pois o mesmo não faz mais parte do portifólio de projetos das Olimpíadas,

A prefeitura do Rio de Janeiro neste ato de retirar da carteira de projetos da Olimpíadas assume que o prazo é inexequível até 2016, o que põe em xeque a existência do mesmo. Segundo informações públicas (internet) o atraso se deu primeiramente por uma empresa que entrou com uma liminar impedindo a licitação e uma vez vencida esta etapa de derrubar a liminar, o Ministério Público também suspendeu pedindo explicações sobre o projeto.

Esta semana, uma novidade se noticiou: mesmo não sendo legado para a Olimpíadas, o projeto terá sua licitação para o trecho 1 (Deodoro <> Cajú), o que sozinho não representa nenhum avanço no sistema de transporte da cidade.

A novela trecho 2:

Apesar de uma definição clara que a Transbrasil será pela Av. Brasil (até aí, nenhuma dificuldade cognitiva para a turma de engenheiros), o Trecho 2, que é do Cajú até o Centro é uma incógnita. Até mesmo onde no Centro seria este "Centro" era especulação. Originalmente cotado no Aeroporto Santos Dumont, já foi indicado na Central do Brasil e finalmente na Candelária, que parece ter sido a proposta de consenso.




Até mesmo como iriam chegar até esta estação final, ou seja, o trajeto do trecho 2 teve mudanças. Originalmente seguiria pela Av. Rodriggues Alves, Praça Mauá e Praça XV até o Aeroporto, depois, pela Av. Francisco Bicalho, Av. Presidente Vargas até a Rua Primeiro de Março e Av. Antonio Carlos, depois pelo mesmo trajeto porém parando na Candelária e agora finalmente, segundo palavras do prefeito:

"...o prefeito Eduardo Paes detalhou, em maio, o provável traçado do BRT na chegada ao Centro: ao deixar a Avenida Brasil, o corredor seguirá pela Rodrigues Alves, Túnel João Ricardo (Central do Brasil) e Presidente Vargas, até a Candelária, onde será construído um terminal." Fonte Jornal O DIA

A proposta do BLOG.

Independente de opção da Av. Francisco Bicalho ou da Av. Rodrigo Alves, a chegada a Candelária é fato. A proposta original de chegar ao Aeroporto foi impedida pois o terminal ficaria no Aterro do Flamengo, que é tombado e não poderia sofrer alterações, e com isto o trajeto foi sofrendo reduções até chegar a Candelária.
A proposta deste Blogger é um pouco mais arrojada e ao mesmo tempo de baixíssimo custo de implantação: Levar a Transbrasil até Botafogo.

A proposta conectando a Candelária ao Aterro do Flamengo
As áreas a serem abertas com a demolição da Perimetral na Praça XV permitiria perfeitamente o trajeto Candelária <> Aeroporto Santos Dumond, chegando assim no inicio do Aterro do Flamengo e de lá até Botafogo.

Mas o Aterro não é tombado? Sim, mas a proposta não pressupõe nada que altere a paisagem. Hoje o sistema de BRS basea-se apenas em uma pintura de faixa azul de trafego continua no chão, câmeras de monitoramento e radares, que aparta o transito de veículos particulares dos coletivos. Esta simples reprodução do modelo segregaria o transito dos BRT dos demais veículos sem que mexam em uma folha de grama para implantação, já que hoje o Aterro já possui tudo isto. Durante a passagem no Aterro não haveriam estações, assim como hoje os ônibus que lá passam não possuem pontos para embarque ou desembarque de passageiros, cabendo apenas a Av. Nações Unidas, em Botafogo, esta estrutura.

Vantagens do projeto:

Na atual proposta da prefeitura:

1. O sistema de Metrô no Centro do Rio está sobrecarregado, e a atual proposta é de mais um sistema contribuindo com esta lotação;
2. Não há conexão entre os dois principais aeroportos da Cidade (Galeão e Santos Dumont);
3. Não atende a um grande publico que tem como destino a Zona Sul da cidade, considerando os oriundos da Av, Brasil ou os que saem do Centro e das Barcas com destino a esta região.

Na proposta aqui apresentada:

1. Haverá mais pontos de entrega do sistema, atendendo a um grande volume de cidadãos e turistas que tem por destino a Zona Sul ou o Aeroporto Santos Dumond;
2. Conecta os aeroportos sem impactar o tombamento do Aterro;
3. Atende também a uma grande demanda de conexão das Barcas Rio-Niteroi, hoje totalmente apartada de todos os planos de articulação de transporte da cidade.

Terminal em Botafogo:

Ao seguir pelo Aterro, os atuais pontos de ônibus hoje existentes em Botafogo seriam substitutos por estações, conforme propostas ilustrativas abaixo. Considerando que os locais aqui propostos já tem a largura necessária, com poucas intervenções da construção das estações e da ligação para pedestres. O custo é baixo com grande benefícios aos usuários da própria Transbrasil e das Barcas Rio Niterói.

Terminais do Aeroporto em diante:
Estação Santos Dumond, conectada a passarela já existente na Av. General Justo


Estação Enseada de Botafogo, conectada a passagem subterrânea já existente

Estação Terminal Mourisco, com espaço para manobra e para a faixa reversível de carros, sem grande impactos e com a ligação a passarela já existente

Fins de Semana:

Nos fins de semana o Aterro é interditado para converter-se em área de lazer. Considerando a grande redução de demanda, a estação Candelária poderá assumir o papel de estação terminal, reduzindo o trajeto do Transbrasil somente até o Centro, possibilitando o usuário a utilizar outros meios de transporte da região.

domingo, 22 de junho de 2014

Transcarioca 2

Desta vez passei pelo bairro de Olaria, na Rua Ibiapina na direção da Rua Uranos. Para quem não sabe onde é, está aí o mapa do trecho que percorri:




É a primeira vez que vejo uma faixa simplesmente sumir!

Adeus a via binário da Leopoldina:

 Depois da obra da Transcarioca a zona da Leopoldina deu adeus a via binária que faria a ligação da Penha até Benfica, parte da obra bancada com recursos do PAC do governo federal que incluiu até a construção de um elevado para os trens do ramal Saracuruna em Manguinhos.
A Rua Leopoldo Bulhões ligaria a Rua Uranos e a Ibiapina com pistas separadas para cada mão.
Em uma ação de oportunismo enterraram o projeto ocupando integralmente a pista que margeava o trilho do trem (Ruas Etelvina e Vassalo Caruso), únicos trechos da binário que vinham sendo utilizadas. Grande parte da obra ainda está empacada em Manguinhos, mais de uma ano depois da "inauguração" com a Presidente Dilma.

O funil:

Mesmo com esta ocupação, mais uma vez a Transcarioca ocupou uma rua dos bairros da Leopoldina na base do empurra que vai. O espaço insuficiente n a Rua Ibiapina, sentido Rua Uranos, demonstra que não foram feitras mais uma vez as desapropriações decretadas, O dinheiro acabou fazendo bonito no trecho 1 (Barra e Jacarepaguá) e fizeram de qualquer forma no trecho 2, como demonstrado no meu post anterior sobre a Transcarioca.

No vídeo, além das denuncias feitas no Bom dia Rio, que não foram resolvidas (vejam que a escada de madeira continua na calçada, para que o morador possa acessar sua casa), é possível ver no final que uma faixa converte para uma rua residencial e a principal segue por uma curva afunilada.

Denuncias no Bom dia Rio:
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-rio/v/moradores-de-olaria-nao-conseguem-andar-nas-calcadas-por-causa-das-obras-da-transcarioca/3308949/

Viva você a experiência de dirigir nesta pista entregue pela Prefeitura:

Estas imagens foram feitas em um domingo, as 14hs, "hora da siesta", e por isto está vazio. Varios colaboradores do blog disseram que está "faixa que some" está gerando engarrafamentos absurdos, ainda mais considerando que a Transcarioca ainda não tem data para inauguração na região.




terça-feira, 17 de junho de 2014

Transcarioca

Impactos da Transcarioca no bairro de Ramos


Muito se vem falando sobre o impacto que a Transcarioca vem causando aos subúrbios cariocas, com a proposta de transporte rápido e urbanização do  entorno de seu trajeto, mas esta não foi a realidade no bairro de Ramos.
Quando do lançamento do projeto Transcarioca, o trajeto original previa apenas a ligação da Barra da Tijuca até a Penha, atendendo assim o antigo projeto T5 (Transversal 5). Entendendo a falta de opção de transporte do Aeroporto, este trajeto foi complementado para seguir um pedaço do antigo T4 (Transversal 4), incluindo Olaria, Ramos e Ilha do Governador. Esta inclusão foi planejada utilizando a Estrada do Engenho da Pedra, que mais uma vez teve seu trajeto alterado devido a discordância da população local.
Como fruto de tantas alterações, o projeto foi cada vez mais encurtado em seu planejamento, resultando em um curto prazo de execução.
O bairro de Ramos então acabou sendo o ultimo a ter a obra, pelo menos do trajeto, concluído para a inauguração no mês de junho. Este prazo apertado teve consequências para os moradores do bairro.

Qualidade e prazo:

Para que o prazo de inauguração se cumprisse, alguns problemas foram aparecendo. Enquanto saiam reportagens falando que trechos do concreto estavam rachando e trincando durante o trajeto, em Ramos nem concretaram a via do BRT. O antigo asfalto que já atendida a Rua Cardoso de Morais, mesmo que não preparado para esta carga extra, agora segue como parte do trajeto sem a característica segregação de pistas.


Cruzamento da pista do BRT com a Rua Cardoso de Morais

O peso do ônibus sobre o velho asfalto é preocupante


Praças e ruas ocupadas


Muitas árvores e praças foram retiradas para permitir também a passagem da Transcarioca, e muitas não foram repostas. As quadras existentes na Travessa Viúva Garcia e na Rua Teixeira de Castro, na saída da Av. Postal, deixaram de existir e a Praça Mourão Filho teve seu tamanho reduzido à metade. Uma área carente de lazer, a perda de três espaços destinados a este fim causou grandes perdas.


A quadra tamanho society foi reduzida a uma quadra pequena. A Praça perdeu suas arvores e agora só há concreto.


Para tentar compensar a derrubada de arvores no trajeto, a Prefeitura anunciou o plantio de varias mudas para repor, porém tudo que se vê é concreto sem uso definido, com vasos e arvores incompatíveis entre elas e sem terra. Até a grama foi plantada diretamente sobre entulho, quase como varrido para debaixo do tapete.

A grama foi colocada sobre o entulho da obra na Av. dos Campeoes, para esconde-lo


As palmeiras foram plantadas em vasos sem terra, mesmo com tanto espaço para planta-las diretamente no chão


Um grande espaço vazio e sem uso entre a descida do Viaduto Renatinho Partideiro e a Rua Cardoso de Morais


As ruas residenciais também foram descaracterizadas, onde a Transcarioca representa mais risco que benefício a população local. A Rua Emilio Zaluar, apesar de ter um lado integralmente declarado como desapropriado por decretos da Prefeitura, para alargar a rua para a passagem do BRT, não seguiu com o processo de desapropriação, colocando os moradores em risco. A pista deixada para o uso dos mesmos acessarem suas casas não permitem a manobra dos veículos, forçando-os a ficarem atravessados na pista segregada para entrarem e saírem de suas residências.

Motoristas manobrando, vasos e postes no caminho do pedestre e do BRT, na Rua Emilio Zaluar


O pequeno espaço de manobra põe moradores e usuários do BRT em risco de acidente


Até mesmo empresas na Rua Emilio Zaluar, que utilizam caminhões, são forçadas a manobrarem seus veículos dentro das faixas exclusivas, alertando a todos da forma que é possível.


As fabricas locais fazem o trabalho de sinalização

Os que perderam suas garagens utilizam das calçadas para seus veículos, porém não somente estes carros tornaram-se obstáculos. As finas calçadas, com vasos de planta, placas e fios elétricos impelem o pedestre a se arriscar na rua.

Pedestre desvia dos obstaculos, arriscando-se nas ruas e faixas segregadas
A fiação da rede elétrica solta impede o uso da calçada na Rua Emilio Zaluar e é um risco constante de choques e morte.


Demanda local de transporte

Foi construída uma enorme estação de integração do sistema na Av. dos Campeões, entre a Rua Emilio Zaluar e a Av, Teixeira de Castro, porém não há demanda nesta região, enquanto que na Passarela 10 da Av. Brasil, popularmente conhecida como Caracol, existe um ponto de ônibus com maior circulação de pessoas da Av. Brasil com destino ao Aeroporto.

Não bastando a ausência de uma estação, foi colocada uma passarela provisória, denotando a falta de planejamento, para que estas pessoas que tem destino ao Aeroporto atravessem a pista da Transcarioca e possam andar quase 1 quilometro até esta enorme estação de integração

À beira do ponto de onibus da passarela 10, a Transcarioca somente passa sem oferecer integração

Assim como na estação de integração, o espaço disponível sobre o rio possibilitaria a implantação de uma estação
A grande estação de integração, construida sobre o rio a quase 1 km da Av. Brasil


A passarela tem a estrutura frágil e só permite uma pessoa por vez na escada, além de ser uma grande dificuldade aos deficientes e idosos.
Em nada esta passarela lembra a grande estrutura construída na Barra da Tijuca, embora ambas sejam produtos do projeto da Transcarioca

O improviso da passarela e o uso por idosos representa risco a população local e usuários do sistema


Acabamento da Obra

O ritmo no bairro foi realmente de conclusão de obras até a inauguração, pois após isto não foi visto mais nenhum operário trabalhando no local, porém  a dita conclusão deixa muito a desejar no prometido acabamento urbanístico.

Junto ao Viaduto Renatinho Partideiro, o canteiro de obras deixou suas sequelas, seja no que já existia antes da obra, com asfaltamento de péssima qualidade da Rua Cardoso de Morais ou no sinal de pedestre tampado com concreto, ou seja na integração com o que acabou de ser construído.

O sinal de pedestres recebeu concreto durante a obra do viaduto


Usado como área de suporte de estrutura para o viaduto durante a obra, os buracos não foram asfaltados na Rua Cardoso de Morais

As muretas e muros do viaduto São Cosme e Damião não foram reconstruidos, deixando inclusive buracos na via

Não concluíram o reasfaltamento da Av. dos Campeões liberada ao transito, deixando um perigo aos motoristas desavisados.


Clima de insegurança no bairro

Algumas áreas que foram utilizadas como pátio de obras estão sendo entregues completamente vazias, sem uso claro pelo projeto da Transcarioca ou pela Prefeitura. Considerando que o bairro é margeado pela Av.Brasil, os consumidores de crack que estavam alojados na pista lateral fechada para a obra não desapareceram após a liberação para o transito. Hoje eles ocupam as ruas de Ramos, drogando-se e vivendo de furtos. De acordo com dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), o número de roubos e furtos no bairro aumentaram 30% em relação a 2013.
As áreas vazias que ficaram entre o Viaduto Renatinho Partideiro e a Rua Cardoso de Morais, representam um risco a segurança da região. Considerando a perda de tantas praças e quadras esportivas, ainda não há confirmação de que este será o destino de todo este espaço. Uma das opções também é inclusão de um posto de policiamento ou uma delegacia no local, de forma a combater o crime local e ocupar positivamente o território desocupado.

Em amarelo, a área desocupada para canteiro de obras (Fonte – vídeo no youtube, canal Cidade Olimpica)
A área que era pátio de obra foi deixada com chão de terra, sem uso ou projeto para a população local.

Becos foram deixados paralelos ao viaduto.

Sem iluminação e sem segurança, a área poderá virar uma nova favela com ocupação irregular


Os consumidores de crack já se espalham pelas áreas entregues pela Transcarioca


Urbanismo do entorno

Apesar da garantia do prefeito que o projeto Transcarioca seria mais que a passagem de um ônibus por um bairro, que seria uma grande mudança na vida do bairro, a estação da Transcarioca implantada na Travessa Viúva Garcia não tem acesso ao outro lado de Ramos, que é um bairro cortado pelos trilhos da Supervia. Não há uma passarela construída para a travessia, e a outra que já existia a 400 metros da estação, encontra-se exatamente como antes da obra.
Hoje se alguém for fazer uso do BRT para chegar ao lado de Ramos (Rua Uranos por exemplo), após andar 400 metros terá este cenário pela frente:

Não há calçadas ao lado da estação da Transcarioca para chegar a passarela

Esta é a passarela que atenderá ao publico da Transcarioca em Ramos, para atravessar os trilhos da Supervia, com o acumulo de anos de lixo
Esta é a sinalização viária do local da implantação da Estação da Transcarioca.

Enfim, a conclusão que pode-se chegar é que o bairro ficou muito aquém das promessas políticas sobre o Projeto Transcarioca de BRT.